Mostrando postagens com marcador José Fernandes P. Júnior. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Fernandes P. Júnior. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de junho de 2010

KANT: uma vida para Filosofia


por José Fernandes P. Júnior[1]


                       “Se Sócrates morreu pela Filosofia, Kant viveu para ela


         Immanuel Kant viveu de 1724 a 1804. Oriundo da pequena Königsberg – Prússia, cidade que na época contava com cerca de cinquenta mil habitantes[2]. “Kant vivia uma vida como ensinava”[3], escreveu R. B. Jackmann; com isso queria insinuar que sua vida era marcada por um profundo senso moral, calcada no ambiente educacional pietista que seus pais o legara. Sua existência cumpriu o transcurso de uma vida de extrema intelectualidade, regrada pela disciplina e conduta admiráveis. Quadro bem detalhado dessa disciplina e conduta foi pintado pelo biógrafo Haine: “acordar, tomar café, escrever, jantar, caminhar, tudo tinha sua hora marcada.”[4]

            Fato bem conhecido da vida de Kant era a hora de seu passeio: pontualmente, às 15:30h, fazia sua caminhada, diariamente, sempre acompanhado de seu velho criado Lampe, que, prudentemente, conduzia um grande guarda-chuva. A respeito disso, Diané Collinson nos mostra que “numa das raras ocasiões em que atrasou na sua caminhada vespertina, foi em razão, segundo nos é contado, de estar absorto na leitura de Emílio, de Rousseau.”[5] Essa rotina era tão conhecida que seus concidadãos o tinham como referência no acerto de seus relógios.
           
            Ademais, era homem de pequena estatura. Segundo Will Durant[6], não chegava a um metro e sessenta de altura. No entanto, este homenzinho de Königsber, de frágil compleição, hábitos simples e metódicos é tido como um gigante do pensamento universal.

            De saber enciclopédico, nosso filósofo produziu uma obra de larga amplitude; nas diversas áreas do conhecimento o kantismo floresce, seja na antropologia, epistemologia, metafísica, ética, estética, direito... Dentre suas obras, destacamos as suas três críticas: Crítica da Razão Pura (1781), Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Juízo (1790), por isso – não por acaso – é conhecido como filósofo das três críticas. No âmbito do Direito, especificamente, conforme Miguel Reale, “o grande filósofo tratou deste em várias obras”[7], sendo essa temática aprofundada em Metafísica dos Costumes [Die Metaphysik der Sitten], obra dividida em duas partes: a doutrina do direito [Rechtslehre] e a doutrina da virtude [Ingendlehe].

            A leitura de Kant não é fácil. Seu estilo rebuscado é permeado de terminologias formais. A respeito disso, “Haine fala de um estilo cinzento, seco, tosco, de uma linguagem afetada, cortês, fria.”[8] Para endossar a difícil hermenêutica do estilo kantiano, Will Durant conta-nos que, “quando Kant entregou o manuscrito da Crítica a seu amigo Herz, homem muito versado em especulação, Herz o devolveu lido pela metade, dizendo que temia ficar louco se continuasse.”[9] Não obstante, conforme registra Garcia Morente, “a Crítica da Razão Pura, seu livro capital, o mais estudado, o mais comentado, o mais discutido de toda literatura filosófica de todos os tempos”[10] é o contraponto que estabelece o convite para enfrentar o desafio de tentar compreender o pensamento kantiano. Desse modo, aceitemos auspiciosamente a ponderação de Will Durant: “aproximemo-nos dele por desvios e com cautela, começando a uma distância segura e respeitosa; comecemos em vários pontos sobre a circunferência do assunto, e depois avancemos tateando em direção àquele sutil centro em que o mais difícil dos filósofos guarda seu segredo, o seu tesouro.”[11]
            A vida de Kant é muito mais minuciosa e mais nobre do que os detalhes aqui expostos. À guisa de introdução, esboçamos um quadro biográfico desse personagem imortal do intelectualismo humano.

            Seu epígono, Johann Herder, escreveu sobre ele:
           
            “Eu tive a grande sorte de conhecer um filósofo [...] nenhum desejo por fama poderiam alguma vez tê-lo tirado do caminho reto e claro da verdade [...] Este homem, sobre o qual eu sublinho com a maior gratidão e respeito era Emanuel Kant.”[12]

            Paralelo a isso e com a mesma convicção, Will Durant afirma que “a filosofia [...] deverá ser sempre diferente, daqui por diante, e mais profunda, porque Kant existiu.”[13]

            O suprassumo do pensamento de Kant está no seu encantamento, que Reale, magistralmente, interpreta: “o dever impõe-se a nosso espírito com o mesmo esplendor com que contemplamos nos céus as estrelas. “Há duas coisas que me deslumbram, dizia Kant, ‘as estrelas no exterior, e o imperativo categórico do dever, a “boa vontade”, no plano da consciência’”[14]

            Nas palavras do próprio Kant, literalmente, lemos: “Duas coisas enchem a alma de uma admiração e de uma veneração sempre renovadas e crescentes, quanto mais frequência e aplicação delas se ocupa a reflexão: O céu estrelado sobre mim, e a lei moral dentro de mim.”[15]

            Por tudo isso, calha bem a epígrafe que cunhei logo de início: Se Sócrates morreu pela filosofia, Kant viveu para ela. Embora, nunca tenha saído de sua provinciana Königsber, toda Europa visitou seu pensamento e cultivou genuflexamente sua filosofia.

            Seu epitáfio é o de um homem devotado totalmente à moral. Assim gravou-se em sua lápide: “O céu estrelado sobre mim, e a lei moral dentro de mim.”


REFERÊNCIAS

COLLINSON, Diané. 50 grandes filósofos. Trad. Maurício Waldman; Bia Costa 2 ed. São Paulo: Contexto, 2004
DURAN, Will. A história da filosofia. Trad. Luis C. N. Silva. Rio de Janeiro: Nova Cultural, 1996. (Col. Os Pensadores)
HELFERICH, Christoph. História da filosofia. Trad. Luis S. Repa; Maria E. Heider; R. Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2006
LEITE,  Flamarion Tavares. 10 lições sobre Kant. Petropolis-RJ: Vozes, 2007


[1] Professor de Filosofia na rede pública do DF. Bacharelando em Direito. Autor de vários artigos nas áreas da Filosofia e do Direito.
[2] Cf. LEITE. Flamarion Tavares. 10 Lições sobre Kant, p. 33, rodapé.
[3] In: HELFERICH, Christoph. História da filosofia, p. 254
[4] Apud DURANT, Will. A história da filosofia, p. 254
[5] 50 Grandes filósofos, p. 155
[6] Op. cit., p. 254
[7]  Cf. Filosofia do direito, p. 656
[8]  Apud HELFERICH, Christoph. Op. cit., p. 241
[9]  Op. cit., p. 246
[10] Fundamentos de filosofia – lições preliminares, p. 220
[11] Op. cit., p. 246
[12] Apud COLLINSON, Diané. Op. cit., p. 161
[13] Op. cit., p. 246
[14] Op. cit., p. 660
[15] Crítica da razão prática, p. 172





Agradeço a colaboração e a oportunidade, de publicar mais um excelente artigo do Professor José Fernandes P. Junior .
Parabéns pelo seu trabalho.
Marise.

domingo, 11 de abril de 2010

HABERMAS e a ética dialogal para o consenso

José Fernandes P. Júnior[1]

“Quando secam os oásis utópicos estende-se um deserto de banalidade e perplexidade”.

Jürgen Habermas

Jürgen Habermas é um dos pensadores mais influentes do pós-Guerra. Seu pensamento abarca diversos temas – direito, política, história, ética – que se entrecruzam chegando ao final num único ponto: o homem na sociedade. Sua vida é conhecedora dos abusos e desvios do poder, desde a crueldade dos campos de concentração em Auschwitz até o terror do 11 de setembro de 2001. Nascido em Dusseldorf, no ano em que o mundo passava por uma grande crise econômica; 1929 fora, também, o ano da fundação da Universidade de Frankfurt, que mais tarde daria ao mundo uma plêiade de intelectuais que marcariam o pensamento filosófico para sempre. Daquele centro de excelência do conhecimento, surgiria a Escola de Frankfurt, da qual Habermas faria parte. Por pouco tempo teve seu nome ligado aos frankfurtianos da Segunda Geração, pois preferiu, independentemente, trilhar caminhos próprios ao postular a sua teoria da ação comunicativa.

O pensamento habermaseano faz coro com a crítica desferida à metafísica tradicional e tenta “desconstruir o paradigma da modernidade iniciado por Descartes e Locke, configurado na oposição racionalismo versus empirismo”. Noutras palavras, o proposto por Habermas é o de dar a razão um limite, pois o endeusamento da mesma pode chegar a extremos irracionais. Veja-se o caso dos totalitarismos, que ao se apegarem a solipsismos inconseqüentes, geram projetos de poder contaminados de desvios. Este tipo de racionalidade é rechaçada por Habermas, por ser subjetivista e por que a própria razão não fez a crítica a si própria. Nesses termos, o modelo de racionalidade expedido na modernidade por Descartes, deve ser posto à análise e à crítica. Desse modo entendem Martins e Aranha que “o paradigma da racionalidade moderna precisa ser contestado, mas não por meio do irracionalismo e, sim, pela atividade crítica da razão mais completa e mais rica, que dialoga e se exerce na intersubjetividade”. Assim, o modelo que Habermas nos oferece é o do uso da razão comunicativa; não subjetivista, mas dialogal.

DIÁLOGO: Ponte para uma sociedade mais solidária

Nessa perspectiva, o viés que nos é apresentado é o da construção dialogal entre as pessoas, que por sustentabilidade dos argumentos expostos chegam ao consenso. Assim, a linguagem, a palavra, o discurso têm importância decisiva na tarefa de se chegar ao consenso e, por conseguinte, à ética. Esta construção dar-se-á através da “pluralidade de vozes” que argumentam em busca do consensual. Notemos, aqui, a importância que a palavra tem no mundo da vida das pessoas e na sociedade. Não era assim que os gregos – povo da palavra – tentavam sanar os problemas da polis? Certamente. Entretanto, há que se ter cuidado frente às artimanhas sofísticas e falaciosas de que alguns se valem para persuadir. Nenhum interesse particular deve sobrepor aos da comunidade; pois sendo o consenso construído por uma pseudo-discurso, este revelará sua inautenticidade frente aos interesses da maioria. A ética do indivíduo, não deverá estar acima do “todo” coletivo. Nesse sentido, o Professor Olinto Pegoraro nos diz que “Habermas, partindo de um ponto de vista universal, de um lugar de observação e de julgamento pelo qual as contendas podem ser arbitradas imparcialmente e por consenso, não quer construir um ética da obrigação como Kant, mas uma teoria ou instância de validação da norma existente feita por ‘nós’ e não por uma consciência solitária, solitária e intimista.”

Esse modelo do qual Habermas – juntamente com Karl-Otto Apel (1922) – se vale é pautado, sobretudo, no diálogo. Este seria o aspecto de maior relevância na construção de uma sociedade mais equânime e tolerante. Registre-se que, como mencionamos acima, a ojeriza que nosso filósofo tem a qualquer ato de terror e intolerância à humanidade. Talvez por isso, tenha encontrado na linguagem, no diálogo o meio possibilatador da construção de uma sociedade mais solidária. Desse modo, como nos afirma C. Helferich, “a forma básica de seu pensamento é, portanto, reflexiva, ou seja, auto-referente [...]. Assim o ponto de partida da reflexão não é – como em Kant – o pensamento solitário do indivíduo, mas o discurso, a argumentação em comum, sempre mediatizada pela linguagem”. No entanto, argumentar exige compromisso. E o discurso não pode ser vazio de sentido, pois se assim for, não se sustentará e, conseqüentemente, será descartado pelos outros. Assim, não temos como fugir da argumentação. Todos nós precisamos de argumentos como condição vital. O jornalista se utilizará dos mesmos para evidenciar a notícia, o advogado para defender seu cliente, o publicitário para vender seu produto, o professor para fazer com que o aluno compreenda, o político para convencer que é o melhor candidato, o operário para mostrar que merece aumento salarial etc. Os exemplos são inumeráveis. O certo é que a todo instante estamos a fazer discursos e buscando o consenso. Quando isso não ocorre, está ai a Justiça para resolver os conflitos; e mesmo que isso ocorra, as situações litigiosas não escapará à esfera dos argumentos. “A situação da argumentação é, portanto, inescapável. Argumentar significa fazer valer pretensões por meio de argumentos; em outras palavras significa que aquele que argumenta, sempre se comprometa”, diz-nos Helferich.

A PARTE E O TODO NA ÉTICA DO DISCURSO

Como se vê, a teoria da ação comunicativa de Habermas desdobra-se em sua ética do discurso, que por sua vez tem como finalidade o consenso. Posto desse modo, o entendimento será sempre alvo da ética do discurso. Assim, em meio a um arrazoado de argumentos, quando alcançado o consenso, chega-se à verdade; não a verdade objetiva, “mas as proposições validadas no processo argumentativo em que se alcança o consenso”. Como se percebe, a ética habermaseana pressupõe a autenticidade do discurso e a prioridade do coletivo sobre o indivíduo. Tal ética não tem pretensões de prometer uma vida feliz para o sujeito social, ao contrário; o objeto da ética discursiva é a validade da norma, construída pelo “todo coletivo” através do consenso que as partes individuais decidiram construir. A respeito disso, vejamos o que o Olinto Pegoraro diz: “na ética discursiva, não existe uma preocupação de ordem existencial de cada pessoa e de cada situação concreta, visando orientar o sujeito para uma vida boa e feliz; pelo contrário, a ética deontológica discute as condições nas quais uma norma pode ser aceita como válida; então o problema ético se desloca da questão do bem para a questão do justo, da felicidade pessoal para a validade prescritiva da norma”. Percebe-se que a ética discursiva tem por objeto a construção de uma sociedade mais democrática, tendo em vista que aquilo que foi aprovado com a aquiescência da maioria consensual deve ser validado como escolha mais justa e pragmática. Como peculiaridade, nota-se que a ética discursiva é procedimental, isto é, quando todos que estão envolvidos no debate se prestam a cumprir o que foi acordado por meio de uma norma, tem-se aí a universalização concreta e pragmática do processo instalado para se chegar ao consenso.

A ética do discurso enseja sempre que a autenticidade discursiva tenha apenas uma finalidade, qual seja, a busca pela verdade. Por isso, no projeto ético habermaseano, não há espaço para mentiras políticas e nem coisas afins. Para Habermas, todo discurso deve ter a pretensão de se dizer sempre a verdade: “ falar é ipso facto levantar uma pretensão de validade; qualquer pessoa que realiza um ato de fala é obrigada a exprimir pretensões universais à validade e de se supor que é possível honrá-las” – diz Habermas, citado por O. Pegoraro. Portanto, reitere-se isso: no projeto ético habermaseano não há espaço para interesses escusos, aqueles que tanto seduzem os políticos.

Mas como deve ser os critérios do discurso apregoado por Habermas? E o que é esse tipo de discurso? – o leitor deve estar indagando agora. Vejamos como Helferich ajuda-nos a compreender isso: “o discurso é uma espécie de negociação, na qual em primeiro lugar, não é permitido excluir ou diminuir ninguém, em segundo, só contam argumentos e jamais artimanhas retóricas e, em terceiro, na qual a sentença não é pronunciada por um único indivíduo, mas consiste na concordância sem coerção, no consenso de todos implicados”. Assim, o discurso deve ser democrático, ninguém deve ser excluído. Em resposta a primeira indagação, Helferich afirma: “as obrigações, válidas em todo discurso, são de natureza moral [...] Elas nos comprometem, de modo geral, com a racionalidade que não podemos contestar, no sentido de uma ética da comunicação sincera, e nos oferecem uma um critério para discutir e julgar, fundamentalmente normas morais: são moralmente obrigatórias todas as normas que podem ser legitimadas por meio do consenso, ou seja, do acordo sem a coerção dos argumentadores”. Observa-se, aqui, que as obrigações impostas pela ética do discurso são a comunicação sincera, a moral e a ausência de qualquer tipo de coerção.

Portanto, a teoria comunicativa de Habermas tem um viés plenamente democrático. Todos devem participar. Ninguém deve ser excluído do projeto de construção de uma sociedade melhor. Nesse plano, a razão comunicativa deve prevalecer sobre a razão subjetiva. A respeito disso, Martins e Aranha afirmam que “a ação comunicativa supõe o entendimento entre os indivíduos que procuram, pelo uso de argumentos racionais, convencer o outro (ou se deixar convencer) a respeito da validade da norma: instaura-se aí o mundo da sociabilidade, da espontaneidade, da solidariedade, da cooperação”.

BIBLIOGRAFIA:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando – introdução à filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2003.

HELFERICH, Christoph. História da filosofia. Trad. Luiz S. Repa; Maria E. H. Cavalheiro; Rodnei do Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.


[1] Graduado em Filosofia; Bacharelando em Direito; Professor de Filosofia na rede pública de ensino do DF e autor de vários artigos nas áreas do Direito e da Filosofia

________________________

Mais uma vez, agradeço a oportunidade de publicar mais um excelente artigo do Professor José fernandes P. Junior .

Parabéns pelo seu trabalho.

Marise.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Teu não

Por José Fernandes P. Júnior*


“Seja esta a minha última palavra: Confio em Seu amor.”
Tagore



Teu formão desce sobre as imperfeições de minha alma sozinha;
“Por quem os sinos dobram?”
O Teu não é um terrível trovão
na tempestade tenebrosa.
Quem bate à porta?
Ninguém.
O Teu não é um silêncio assustador.
Quem está no barco?
Ninguém.
O Teu não é o abandono no Getsêmani.
Quem caminha agora em Emaus?
Ninguém.
O Teu não é o cálice amargo que deve ser tomado;
O Teu não é o melhor que é incompreendido;
O Teu não é a graça que basta;
O Teu não...




Imagem: http://meusebastian.blogspot.com/2007_09_01_archive.html
________________________________________________________


* Professor de Filosofia na rede pública do DF; Bacharelando em Direito e autor de vários artigos nas áreas da Filosofia e do Direito

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Sócrates louco


Diógenes e Alexandre, o grande.


Por José Fernandes P. Júnior[1]
        
A princípio denominei o título desse singelo fragmento de “Diógenes, o zombador social”. E na verdade calhava bem esse título. Adiante veremos isso, pois o que se segue é um resgate do anedotário e lendas que a história da Filosofia fez questão de gravar em seus arquivos, a fim de que os pósteros de Diógenes não olvidassem o seu nome. Entretanto, a ironia platônica ao filósofo, justificou tal mudança: um dia quando perguntaram a Platão o que ele achava de Diógenes, a resposta foi: “um Sócrates louco.”[2] Veremos por quê.

            Diógenes de Sinope, o cínico (c.400 – c.325 a.C.), viveu uma vida de total desdém às convenções sociais de seu tempo. Algumas peculiaridades de sua vida são descritas por seu homônimo Diógenes Laércio em Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Este nos conta de Diógenes que seu traje era uma túnica, um alforje e um bastão. Era extremamente pobre e dependente das esmolas e benemerência de seus compatriotas. “Em certa ocasião – diz-nos Laércio – Diógenes escreveu a alguém pedindo-lhe para arranjar uma pequena casa; em face da demora dessa pessoa ele passou a morar num tonel existente no Metrôon, de acordo com suas próprias afirmações em suas cartas.”[3]

Conta, ainda, Teôfrastos no seu Megárico que “certa vez Diógenes, vendo um rato correr de um lado para o outro, sem destino, sem procurar um lugar para dormir, sem medo das trevas e não querendo nada do que se considera desejável, descobriu um remédio para suas dificuldades.”[4]

Sem dúvida, Diógenes era um homem de se admirar por suas tiradas e estilo de vida. Não obstante, o povo de Atenas o amava. “Tanto era assim que quando um rapaz lhe quebrou o tonel os atenienses surraram o rapaz e deram outro tonel a Diógenes.”[5] Com efeito, o próprio filósofo “dizia que todas as maldições da tragédia haviam caído sobre ele e de qualquer modo era um homem ‘sem cidade, sem lar, banido da pátria, mendigo, errante, na busca diuturna de um pedaço de pão.”[6]

            Ademais, Laércio diz que o cínico Diógenes “no verão rolava sobre a areia quente, enquanto no inverno abraçava as estátuas cobertas de neve querendo por todos os meios acostumar-se às dificuldades.”[7] Em meio a um estilo de vida que parecerá ao homem moderno uma desgraça, foi Diógenes um homem livre e admirado no seu tempo.

            Em suma, viveu uma vida de disciplina e aversão aos prazeres mundanos. Em seu tempo foi um zombador social; viveu isolado e resignadamente sem casa e dinheiro, portanto pobre e sem teto. Seus bens mais valiosos eram o tonel onde morava, um alforje e sua lanterna, usada para “procurar um homem justo no mundo”.

Sabe-se que quando Alexandre, o grande, ao se encontrar[8] com Diógenes na ocasião de seu banho de sol, teria dito o imperador ao filósofo: “Não sabes quem sou?” Ao ser ignorado, Alexandre emendou: “Sou Alexandre, o grande. Pede-me, agora, o que queres”. Diógenes respondeu: “Devolva o meu sol”. Por fim murmurou o imperador: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes”.

            Outras curiosidades[9] sobre Diógenes:

            - Quando foi capturado e posto à venda como escravo perguntaram-lhe o que sabia fazer, “Comandar homens”, disse ele, e deu ordens ao leiloeiro para chamá-lo no caso de alguém querer comprar um senhor.

            - Certa vez Diógenes gritou: “Atenção homens!”, e quando muita gente acorreu, ele brandiu o seu bastão dizendo: “Chamei homens, e não canalhas!”
           
- Platão definira o homem como um animal bípede, sem asas, e recebeu aplausos; Diógenes depenou um galo e o levou ao local das aulas, exclamando: “Eis o homem de Platão!”

            - A alguém que lhe perguntou a que horas devia almoçar, sua resposta foi: “Se fores rico, quando quiseres; se fores pobre, quando puderes.”

            - A alguns jovens que o cercavam e diziam: “Cuidado para que não nos morda!”, ele falou: “Um cão não come acelga.”

            - A certa pessoa que considerava Calistenes feliz porque desfrutava do esplendor do séquito de Alexandre, o Grande, ele ponderou: “Calistenes é sem dúvida infeliz, pois almoça e janta quando Alexandre tem vontade.”

            - Em certa ocasião, quando se masturbava em plena praça do mercado, disse: “Seria bom se, esfregando também o estômago, a fome passasse!”

            - Quando alguém o reprovou por seu exílio sua resposta foi: “Mas me dediquei à filosofia por causa disso, infeliz!”

            - Em certa ocasião pediu uma esmola a uma estátua; a alguém que lhe perguntou a razão do pedido o filósofo explicou: “Para habituar-me a pedir em vão.”
            - A alguém que lhe disse: “Muita gente ri de ti”, sua resposta foi: “Mas eu não rio de mim mesmo.”

            Outras narrativas há sobre as tiradas e ditos do cínico Diógenes. Qualquer semelhança entre Sócrates louco e Diógenes é mera coincidência. Será?

           
BIBLIOGRAFIA
LAÊRTIOS, Diógenes. Vida e doutrina dos filósofos ilustres. Trad. Mário da Gama Kury. 2 ed. Brasília: Editora UNB, 2008



[1] Professor de Filosofia na rede pública do DF. Bacharelando em Direito. Autor de vários artigos nas áreas da Filosofia e do Direito.

[2] Cf. Diogenes Laércio. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, p. 165
[3] Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, p. 158
[4] Apud. LAÉRCIO, Diógenes. Op cit. loc.cit.
[5] LAÉRCIO, Diógenes. Ibidem, p. 163
[6] Idem, ibidem, p. 161
[7] Idem, p. 158
[8] Diógenes Laércio dá detalhes desse encontro e, ainda, conta-nos: “Em certa ocasião Alexandre, o Grande, ficou à sua frente e perguntou-lhe: “Não me temes?” Sua resposta foi: “Que és tu ? Um bem ou um mal?” Alexandre respondeu: “Um bem.” Então Diógenes concluiu: “E quem teme um bem?”
[9] Cf. Diogenes Laércio. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres.

Imagem http://harrynasaladejustica.blogspot.com/2009/11/diogenes-e-como-acabar-com-fome.html

***Agradeço pela oportunidade de  publicar mais um excelente texto, de autoria do Professor e Filósofo José Fernandes P. Júnior.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CONSOLAÇÕES DA FILOSOFIA ou Migalhas filosóficas para libertação




Por José Fernandes P. Júnior[1]

                        Se este mundo fosse isento de miséria e de dor, tornar-se-iam [os homens] a presa                                        do tédio, e na medida que pudessem fugir a este mal, recairiam nas misérias, nos tormentos, nos sofrimentos.
Shopenhauer, Dores do mundo [2]

            Tomo aqui emprestado os títulos das Obras “De consolatione philosophia” de Severino Boécio e Migalhas Filosóficas de S. Kierkegaard para denominar este singelo fragmento que ora me proponho a escrever. Poderão alguns pensar que se trata de mais uma peça de auto-ajuda ou são pílulas para anestesiar a dor do homem jogado e perdido no abismo do vazio do mundo. Não é este o caso. Queremos, tão-somente, apreciar algumas das belas passagens e exemplos que a Filosofia nos dá como consolação para o homem melancólico dos tempos hodiernos, preocupado mais com suas vantagens e o instante de sua satisfação pessoal.

            Comecemos, então, por um fato ocorrido com o filósofo Zenão de Cicio (334-264 aC.). Narra-nos Diógenes Laécio em Vida, Doutrinas e Sentenças dos Filósofos Ilustres que,  quando foi a Zenão anunciado o naufrágio no qual tudo que possuía fora tragado pelo mar, teria dito: “a fortuna quer que eu filosofe sem nenhum embaraço”. A história da Filosofia dá-nos conta que Zenão depois do incidente e agora pobre, fundou o Estoicismo (gr.: Stoa), corrente filosófica que tinha como fórmula “suporta e renuncia” (sustine et abstine).  De igual modo, consola-te, pois, com o que não pode ser mudado, nem modificado.

            Outro personagem que nos traz uma consolação é Diógenes de Sinope (413-323 a.C.), o Cínico; este viveu uma vida de disciplina e aversão aos prazeres mundanos. Em seu tempo foi um zombador social; viveu isolado e resignadamente sem casa e  dinheiro, portanto pobre e sem teto. Seus bens mais valiosos eram o tonel onde morava, um alforje e sua lanterna, usada para “procurar um homem justo no mundo”. Sabe-se que quando Alexandre, o grande, ao se encontrar com Diógenes na ocasião de seu banho de sol, teria dito o imperador ao filósofo: “Não sabes quem sou?” Ao ser ignorado, Alexandre emendou: “Sou Alexandre, o grande. Pede-me, agora, o que queres”.  Diógenes respondeu: “Devolva o meu sol”. Por fim murmurou o imperador: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes”. Assim – qual Diógenes – consola-te, pois, com o teu sol.

            Pode o leitor, precipitadamente, depois de ter lido até aqui, formular a conclusão de que queremos induzi-lo a apegar-se a um modus vivendi asceta ou estóico. Não é este o fim que nos move. Seria de nossa parte impossível esta pretensão. Esta impossibilidade é confirmada, com efeito, nos indícios do mundo em que vivemos, cada vez mais utilitarista e, conseqüentemente,  consumista.

            Em vista disso, acertadamente, Aldous Huxley, bem traduziu – já em sua época – esta indisposição do homem para com valores perenes ao perceber sua preocupação apenas com o imediato, por isso bem descreveu as aspirações deste homem moderno: “Dê-me televisão e hambúrguer e não me venha com sermões sobre liberdade e responsabilidade”[3]. Dessa maneira, Huxley sintetiza e anuncia como seria o admirável mundo novo, no qual o homem é vítima de seus próprios desejos. Diante disso, consola-te, pois, com os valores imateriais e perenes.
            A busca incontrolável pela diversão a qualquer preço, isto é, pelos prazeres sensuais, encaminham o ser humano a viver esteticamente, como um arquétipo de Don Juan desses novos tempos.

            Assim, nesse viver mergulhado apenas nas questões que lhe oferecem prazer, o homem vive, conforme Kieerkegaard, o instante. Vale, tão-somente, o estágio estético da existência, que o move incessantemente na busca do prazer pelo prazer. Depois, quando tudo se esvai e, portanto, acaba, ei-lo então depressivo, melancólico e vazio. Surge aí o desespero,  pois o instante é fugaz e quando se vai deixa apenas um buraco e estrago no ser do homem. “Deserto e vazio. Deserto e vazio. E as trevas à beira do abismo”[4]; assim, com palavras do poeta T. S. Eliot, assinalamos este momento. Consola-te, pois, com aquilo que não te consuma e nem leve ao desespero.
           
            Continuemos. Com Sócrates – o filósofo das ruas – surge a recomendação para o ato de refletir, isto é, filosofar. Diz ele: “uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Da mesma maneira, Sêneca (4 a.C.? – 65 d. C.) endossa a importância do ato reflexivo: “Vou dizer-te, então, o que me reconfortou; mas antes quero dizer-te que essas coisas em que encontro alento tiveram para mim a eficácia de um remédio; os bons auxílios transformaram-se em remédios, e qualquer coisa que eleve a alma aproveita também ao corpo. Os estudos foram minha salvação, devo agradecer à filosofia se consegui me levantar da cama, se me curei: a ela devo a vida, mesmo que essa seja a menor dívida que tenho com ela”[5].  Qual Sêneca e Sócrates, consola-te,  pois, com o pensar e o refletir sobre as coisas.

            Bem verdade é que o ser humano, consumido pela velocidade da vida e o progresso desenfreado, não tem tempo para refletir sobre a vida, isto é, pensar filosoficamente. Virou ele prisioneiro da própria teia que teceu, assim como o personagem principal de 1984, de George Orwell, o homem contemporâneo (ou pós-moderno) está sendo (ou foi) reduzido “a uma mera larva de homem, que vive uma vida
desprovida de qualquer sentido”[6]. Sua existência limita-se à busca pelo sucesso e a vencer o outro. Se isto é verdade, devemos compará-lo a Sísifo, “condenado pelos deuses a carregar, nos Infernos, uma rocha para o alto de uma montanha, sem que esse trabalho jamais termine, porque, ao chegar ao topo, a rocha cai de suas mãos e volta a cair no vale”[7]. Como o personagem de Camus, o homem parece condenado a realizar um trabalho infernal, onde a busca pelo topo e primeiro lugar do pódio tiram-lhe a liberdade e a felicidade. Consola-te, pois, em ser feliz e livre, mesmo que não tenha chegado ao cume do sucesso.

            Mas e a felicidade? Ah, a felicidade! Todos querem tê-la como fiel companheira. Mas isso não é possível. A condição humana indica que ser feliz é algo que depende de como estamos e sentimos em determinado momento. Assim, se somos, por exemplo, pegos de surpresa com a notícia da morte de alguém que amamos, mesmo vivenciando um grande momento de alegria, tudo muda. E ainda, se não somos capazes de nos contentar com o que possuímos, somos infelizes por não possuir o desejado, e isso pode gerar até um sentimento de inveja. A respeito disso, vejamos como Madame du Chatelet tratou desse problema: “Um dos grandes segredos da felicidade consiste em moderar nossos desejos e amar as coisas que possuímos. [...] só somos felizes com desejos satisfeitos; portanto, só devemos permitir-nos desejar as coisas que pudermos obter sem excesso de cuidados e trabalhos, e este é um ponto sobre o qual muito podemos para nossa felicidade. Amar o que possuímos, saber desfrutá-lo, saborear as vantagens de nossa situação, não deter demasiado os olhos naqueles que nos parecem mais felizes [...] é a isso que devemos chamar de felicidade [...] Para desfrutá-la, é preciso curar ou prevenir uma doença de outro tipo, que se opõe totalmente a ela e que é muito comum: a inquietação”[8]. Assim, consola-te, pois, a manter o espírito sereno, livre das inquietações e perturbações da coisa desejada.

            Contentar-se com aquilo que está dentro de nossas possibilidades – eis o segredo do ser feliz. Entretanto o que se vê, nesses tempos de corrida incessante contra a morte, é a criação de uma felicidade superficial, forjada nas academias, nas vitrines dos shopping centers, nas cirurgias plásticas etc. A velhice é um fantasma de que todos têm medo. Por isso, ninguém mais quer envelhecer, pois isso significa marcar encontro com a morte. Assim, a busca ilimitada pelo bem-estar material aflige o homem de hoje.

            A felicidade artificial, portanto, substitui dia após dia a felicidade espiritual. E por que isso aconteceu? Segundo Giovanni Reale, isso “aconteceu porque a abundância dos bens materiais, em vez de preencher o homem, o esvaziou. Minou e, portanto, comprometeu sua consistência e densidade moral.”[9]

            Nesse sentido Platão, em Apologia de Sócrates, registra a receita de felicidade prescrita por seu mestre: “Estou tentando apenas convencer-vos, aos mais jovens e mais velhos, de que não deveis preocupar-vos com os corpos, com as riquezas ou com alguma outra coisa antes de vos preocupardes primeiramente com a alma, de forma que se torne o melhor possível,  afirmando que a virtude não nasce das riquezas, mas da própria virtude vêm, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto privados como públicos”[10]. As palavras do filósofo não estão insinuando que devamos ser descuidados com o nosso corpo, o teor delas tem conotação de que a matéria não deve prevalecer sobre o espírito.

            Por fim, resta-nos ainda falar sobre como devemos nos consolar diante do inevitável – a morte. Imagine se fôssemos imortais; alguns iriam dizer que essa vida seria um tédio, outros iriam se achar deuses, outros tentariam inventar o suicídio etc. O certo é que iremos todos morrer: amanhã, ou depois de amanhã, ou quem sabe hoje. A respeito disso, é digno de registro este célebre fragmento de Schopenhauer: “[...] somos escravos do querer viver, que torna em nós a aparência ilusória de uma vontade
individual. Lutamos selvagemente uns contra os outros para conquistar riquezas e honras que a morte logo nos arrancará. Somos escravos do desejo, deste desejo que é sempre sofrimento – sofrimento da necessidade enquanto não satisfeita, sofrimento do tédio quando podemos obter tudo o que desejamos. ‘A vida oscila, como um pêndulo, do sofrimento ao tédio’. Por outro lado a necessidade, a necessidade não cessa de renascer das cinzas e ‘a satisfação que o mundo pode dar aos nossos desejos assemelha-se à esmola hoje dada ao mendigo e que o faz viver o bastante para estar faminto amanhã”.

            Também, conhecedores da finitude humana, os imperadores romanos colocavam escravos nas bigas dos generais que triunfavam nas batalhas para recitarem a seguinte frase: memento mortale est – lembra-te que és mortal; era o antídoto da arrogância e orgulho. Noutras palavras poder-se-ia dizer como Salomão: Vanitas vanitatum, et omnia vanitas – vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Ou como disse Schopenhauer: “Quão longa é a noite do tempo sem limites comparada com o curto sonho da vida!”[11].
            Por fim, consola-te, pois ela há de vir. Sobre isso Montaigne diz que “não sabemos onde a morte nos aguarda, esperemo-la em toda parte. Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu a servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento”[12].  Consola-te, pois...
  
BIBILIOGRAFIA

MORRA, Gianfranco. Filosofia para todos. Trad. Mário Pagotto Marsola. São Paulo: Paulus, 2001.
REALE, Giovanni. O Saber dos antigos – terapia para os tempos atuais. Trad. Silvana Cobucci Leite. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002.
SANTANA, Edilson. Filosofar é preciso. São Paulo: DPL editora, 2007.
SCHOPENHAUER, Arthur. Dores do mundo. Ediouro – (Coleção Universidade)


 
[1]  Graduado em Filosofia; Bacharelando em Direito ; Professor de Filosofia na rede pública de ensino do DF e autor de vários artigos nas áreas do Direito  e da Filosofia.
[2]  SCHOPENHAUER, Arthur. Dores do mundo, p. 127

[3]  Apud. REALE, Giovanni. O Saber dos antigos – terapia para os tempos atuais, p. 12
[4]  Apud REALE, Giovanni. Ibidem, p. 7
[5]  Apud, Idem, Ibidem, p. 16
[6]  Idem, p. 9 
[7]  REALE, Giovanni, Op. cit. p. 163
[8]  Apud SANTANA, Edilson. Filosofar é preciso, (epígrafes)
[9]  Op. cit, p. 94 
[10] Apud REALE, Giovanni. Ibidem, p. 7
[11] Dores do mundo, p. 128
[12] Apud MORRA, Gianfranco. Filosofia para todos, p. 81

**** Agradeço pela oportunidade de publicar este magnífico texto, de autoria do Professor e Filósofo José Fernandes P. Júnior.
MIGALHAS FILÓSOFICAS PARA LIBERTAÇÃO , publicada na ed. 20 de Filosofia Conhecimento Prático.

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin