sexta-feira, 31 de julho de 2009

Agir com autonomia

Muitos se queixam da "falta de liberdade" sem levar em consideração que a liberdade é sempre relativa

(gestao@atleitor.com.br)

TEREZINHA AZERÊDO RIOS "Qual é o espaço que  a escola tem para exercer sua autonomia? Vejo no projeto pedagógico a expressão mais privilegiada para essa prática." Foto: Marcos Rosa
TEREZINHA AZERÊDO RIOS "Qual é o espaço que a escola tem para exercer sua autonomia? Vejo no projeto pedagógico a expressão mais privilegiada para essa prática." Foto: Marcos Rosa

Em encontros com diretores de escolas, supervisores e coordenadores pedagógicos, ouvem-se com muita frequência queixas como "a gente não tem autonomia!" e "os gestores não têm liberdade porque precisam dar satisfação de suas ações à Secretaria da Educação, à comunidade etc." Ora, autonomia e liberdade são palavras-chave do trabalho educativo. Na verdade, são também da ação humana. Como, então, encarar essas reclamações? Será que os educadores têm razão nas colocações? Ou não estão sabendo aproveitar a autonomia que têm? Vamos analisar juntos.

A liberdade é o aspecto que distingue os seres humanos dos outros animais. Enquanto estes estão submetidos a um determinismo, nós conseguimos interferir na natureza e criar a cultura e a história. Ser livre, no entanto, não significa não ter limites. Somos livres juntamente com os outros e, portanto, somos responsáveis – temos de responder por nossas ações e ter consciência de suas implicações. O exercício da liberdade se dá sempre em situações de convívio e de relacionamento. Por isso, ninguém é livre sozinho.

Há um caminho que vai da heteronomia - quando alguém obedece às regras impostas passivamente - à autonomia - em que os valores considerados significativos se internalizam ou, num exercício crítico, são criados outros. É importante destacar que autonomia não é independência. Ela é sempre relativa - e isso não quer dizer que seja pouca. Significa, sim, que se configura pela relação e pode ser ampliada quando descobrimos - ou inventamos - possibilidades de atuação que fortaleçam a afirmação da cidadania, de uma articulação estreita de direitos e deveres e de um trabalho efetivamente coletivo. Qual é o espaço que a escola tem para exercer sua autonomia? Vejo no projeto pedagógico a expressão mais privilegiada para essa prática. É em sua elaboração que se criam condições de contemplar as necessidades e os desejos do conjunto dos educadores envolvidos e da comunidade. Num processo participativo e de articulação orgânica com os outros, cada um realiza sua tarefa. É isso que faz com que esse projeto se configure como uma intervenção livre - e autônoma! - de todos, considerando as diretrizes existentes e fazendo um exercício de criação e de formação contínua, compromissado com o aprimoramento da qualidade da Educação. Cabe ao gestor, como articulador do projeto, empenhar-se no sentido de que a ação livre (o empreendimento autônomo) se dê num movimento de construção coletiva do bem comum, que é o objetivo principal do trabalho educativo.

TEREZINHA AZERÊDO RIOS (gestao@atleitor.com.br) é professora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade 9 de Julho.

Fonte: Gestão Escolar Edição 002-| Junho 2009

http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/agir-autonomia-483505.shtml

4 comentários:

Prof. Francisco disse...

Ótimo artigo!O que está faltando para nós educadores é re-pensar a educação! Acredito sim em duas palavras chaves para esse re-pensar: ética e autonomia!

Austeriana disse...

O post coloca várias questões interessantes que dariam "pano para mangas"... O assunto central, a autonomia, tem várias implicações fundamentais para a obtenção de resultados positivos.Uma delas é apontada no comentário anterior (de Prof. Francisco). De facto, só com ética, da parte das entidades/indivíduos envolvidos no processo, é que a verdadeira autonomia pode dar frutos. Para que tal aconteça, as escolas precisam de se munir de mecanismos (regulamentos, normas, regras,...)que impeçam o compadrio na gestão, a avaliação dos docentes baseada em parâmetros justos, etc...
Parabéns pelo post!

Marise von disse...

Prof. Francisco,
Concordo com você, re-pensar a educação é urgente, para ontem.
Abraços,
Marise.

Marise von disse...

Austeriana,

Muitos pessoas não tem noçaõ do que "seja" autonomia, liberdade e ética. Tudo isso é triste, mas é verdade, uma verdade que passa despercebida.
Penso, onde vamos parar?
É necessário re-pensar toda estrutura da educação.
Obrigada pelos comentários, estou em dívida.
Abraços,
marise.

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